Paulo Mendes Pinto: «Por que apoio Sampaio da Nóvoa?»

Paulo_Mendes_PintoHá quase vinte anos, tinha eu acabado a minha licenciatura, e tive a surpresa de poder ir trabalhar na equipa do Prof. António Nóvoa. Era o que eu desejava: investigação com um dinâmico académico que granjeava nome em todo o lugar onde se falava de Educação, especialmente de História da Educação.
Se todo eu era sonho e desejo de muito fazer e crescer, com uma vontade imensa de aprendizagem, mas com uma grande marca de liberdade, quem eu encontrei era tudo o que eu não imaginava que pudesse ser um académico. De facto, era Liberdade, era autonomia, mas era também método, rigor, exigência. Rapidamente criei uma imagem muito clara em relação a António Nóvoa: uma imensa capacidade de trabalho conjugada com uma visão invejável do que é a função de quem lidera, o equilíbrio entre o espaço e a direcção, a tensão riquíssima entre a inovação e o cumprimento de objectivos.
Hoje, quase vinte anos depois, sei como é difícil coordenar equipas, juntar partes diferentes quantas vezes distantes. Sei o quão difícil é trilhar um caminho, analisadas as prioridades, e conseguir seguir esse mesmo caminho, dialogando, fazendo cedências, conseguindo consensos. Fazendo, no fundo, com que as ideias se transformem em realidades, em coisas palpáveis de que nos orgulhamos. Assim foi com um sem número de projectos imensos, com imensa gente, com espaços de fratura muito grandes, mas que António Nóvoa soube gerir, dialogar, esperar, avançar.
Mas era no quotidiano que tudo se materializava numa forma de estar. Muitas vezes o almoço era um salgado e uma cerveja – era a essa hora que algumas vezes se falava, se discutia sem que se percebesse que o indivíduo de barbas brancas e cabelo grisalho no bar da Biblioteca Nacional era um Professor Catedrático.
De resto, o ritmo do trabalho era imparável, fazendo mais que nós. Contudo, ritmo não implicava não saber travar, parar e equacionar. Havia sempre espaço para o debate, para a discussão, para colocar as suas opções em causa. Várias vezes isso aconteceu, e o Catedrático, nunca sozinho, seguiu o que algum dos membros da equipa apontava como mais correcto.
Porque o resultado final era o essencial. Havia sempre algo de mais alto, de mais elevado, a ter em conta: o produzir para colocar ao dispor da comunidade algo de novo, algo que ajudasse os outros a crescer, que criasse fomento à inovação.
Foi neste espírito que percebi o que são ferramentas de trabalho e trabalho de equipa. Pode parecer estarnho o que digo, mas é fácil ser intelectual ou académico. Escrever, escrever, e ter a sua prole de seguidores, mais ou menos calados a ouvir e a acenar ao que dizemos. Mas é muito mais difícil dar à comunidade os instrumentos de que ela precisa para ela mesma fazer o seu caminho. E António Nóvoa fazia-o de forma excepcional, dirigindo equipas que produziam materiais para que os outros pudessem trabalhar – recolhas, dicionários, elencos, reportórios, questionando o passado para compreender o presente.
Não é simples altruísmo, é a existência de uma visão, de um projecto. É o pensar a realidade que o circunda para além do imediato do seu umbigo, do seu desejo. E isso leva a pensar constantemente na utilidade da investigação, na função social do académico. Aprendi com António Nóvoa que não estamos sozinhos e que o conhecimento apenas faz sentido se for reprodutor; não reprodutor do que temos, dos equilíbrios sociais que herdamos, mas se for criador de novas realidades.
Aderi desde muito cedo à ideia de ter António Sampaio da Nóvoa como Presidente da República porque concebo a função presidencial como a de alguém que materializa o desejo de ter desígnios que nos unam, de criar consensos que nos galvanizem, de nos levar a procurar a qualidade do que melhor temos como projecto de sociedade e de nação.
Um Presidente não me parece que seja apenas o gestor da relação entre o Parlamento, o Governo e a Constituição. O Presidente da República está acima das diatribes partidárias, das divergências das opções, mas no lugar da identidade, do que estruturalmente queremos ser como futuro.
Isso não é ser Governo. Isso é dar corpo a vontades de crescimento, a desejo de melhoria, à necessidade de se ser mais que o quotidiano a que somos obrigados pela ditadura dos números.
É por isto que Sampaio da Nóvoa será um bom Presidente da República.
Paulo Mendes Pinto

8/01/2016

In: Facebook – Apoiar Sampaio da Nóvoa: http://www.facebook.com/apoiarsampaiodanovoa/

Para ler outras mensagens que nos foram enviadas: https://apoiarsampaiodanovoa.com/category/que-futuro-para-portugal/


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